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CORONAVÍRUS

Autoridades italianas se enfurecem após pessoas descumprirem quarentena

"Os proíbo de pisar em solo público", disse o prefeito de Messina. Prefeita de Roma fala em intervenção militar caso quarentena seja desrespeitada

Postado em 23/03/2020 às 17:31 |

(Foto: Reuters)

Um vídeo que mostra vários prefeitos italianos enfurecidos com as pessoas que não respeitam a quarentena para reduzir o avanço do coronavírus no país que conta com a maior quantidade de mortes a nível mundial como consequência da doença foi compartilhado por milhares de usuários nas redes sociais pelo mundo.

A reação dos prefeitos ocorre em meio a múltiplas denúncias sobre pessoas que saem a correr ou passear com seus cachorros com maior frequência do que o habitual como desculpa para quebrar o isolamento imposto pelas autoridades. “Me informam que há pessoas que querem preparar sua festa de formatura. Lhe mandamos a polícia, mandamos a polícia com lança-chamas”, disse Vincenzo De Luca, da região de Nápoles em um dos vídeos.

A mensagem ilustra a urgência das autoridades, que estão a todo custo conseguir com que as medidas sejam efetivas e seguidas à risca. “Não posso proibi-los de formalmente sair de casa? Muito bem, os proíbo de pisar em solo público“, disse em outra mensagem o prefeito de Messina, Cateno de Luca. O prefeito de Reggio Calabria, Giuseppe Falcomatá não poupou críticas em suas declarações. “Encontrei um cidadão que muito amavelmente corria pela rua junto com um cachorro evidentemente esgotado. O parei e disse: Isso não é um filme, você não é o Will Smith em Eu Sou a Lenda. Vá para casa”.

Outros, como o prefeito de Lucera, Antonio Tutolo, foram ainda mais duros. “Essas malditas cabelereiras que vão às casas para arrumarem o cabelo das mulheres. Para que servem? Já entenderam que o caixão vai estar fechado (caso se contaminem)? Quem vai vê-las (as mulheres) com os cabelos arrumados no caixão?”, provocou.

Apesar dos apelos do governo, mais de 53 mil pessoas já foram multadas por saídas injustificadas. Para conter a pandemia, foram implementadas ao longo das semanas medidas de isolamento progressivas. Todas as atividades produtivas exceto as essenciais como atenção médica, agroalimentária, logística e de energia foram interrompidas.

As autoridades italianas anunciaram ontem (22) que está proibido todo deslocamento em transporte público e privado, inclusive no mesmo município de residência, se esse não for justificado. Somente estão isentos da medida as necessidades de trabalho comprovadas ou casos de urgência. O não cumprimento das regras pode acarretar em até três meses de prisão e multa de 206 euros.

Mesmo com a maioria da população italiana cumprindo as regras. A polícia está realizando constantes rondas pelas ruas. Ao sair de casa, cada italiano deve ter consigo uma declaração explicando o motivo de seu deslocamento. Vários municípios decidiram recorrer a drones para detectar transeuntes ou aglomerações de pessoas. Fabio Chies,

A prefeita de Roma, Virginia Raggi, se indignou na última sexta-feira (20), através do Facebook. “Ou compreendemos que todos devem se controlar ou então o exército terá que intervir. Devemos parar esta pandemia”, disse.

Até esta segunda-feira (23), estima-se que 6077 pessoas morreram na Itália, com 601 novos casos nas últimas 24 horas. Apesar disso, pelo segunda dia consecutivo o índice de mortes caiu. Mesmo assim, o número de contágios voltou a aumentar e atualmente os casos positivos já ultrapassam os 50 mil.


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